Aventura nas Alturas: uma proposta de intervenção colaborativa com as práticas corporais de aventura na educação infantil

Stéphane Mariane Ribeiro, EMEI Serafina Stampone Smargiassi
stephanemribeiro@hotmail.com
Aline Cristina M. S. dos Santos, EMEI Serafina Stampone Smargiassi
alinecmssantos@gmail.com
Modalidade: Relato de Experiência Escrito | Educação Infantil – G3, Conteúdo Específico Educação Física

Introdução

A Educação infantil atualmente é vista como uma instituição que integra as funções de educar e cuidar, considerando os contextos sociais, ambientais e culturais que as crianças estão inseridas, possibilitando práticas sociais e interações com linguagens diversas e contato com variados conhecimentos que ajudaram na construção da sua identidade (Masullo; Coelho 2015).

Apesar da Educação Infantil não estar dividida em componentes curriculares como as outras etapas da Educação Básica, seus documentos orientadores estabelecem que todos trabalhem de forma integrativa/interdisciplinar. Assim como em todas as etapas de ensino, o currículo da Educação Infantil deve ser pautado em propostas pedagógicas interdisciplinares, pois a necessidade de articular os saberes e as experiências das crianças com os conhecimentos é fundamental.

Pensando em integrar os diferentes conhecimentos e formas de aprendizagens, nosso trabalho buscou juntar de forma colaborativa a professora de Educação Física e a professora polivalente nas atividades de aventura vivenciadas pelas crianças.

A intervenção foi realizada em uma turma de crianças de 3 anos, com a proposta de introduzir práticas corporais de aventura de maneira lúdica e segura. As práticas de aventura foram adaptadas para a faixa etária, priorizando atividades de baixo risco e que favorecessem a interação com o espaço e com os colegas.

Objetivo

O objetivo foi desenvolver um trabalho colaborativo entre as professoras de Educação Física e a professora polivalente visando promover o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças por meio de atividades que envolvessem desafios e superação, ainda que estimulem a exploração do corpo, o equilíbrio, a coordenação e a confiança, sempre em um ambiente de colaboração e diversão. A proposta teve como foco o fortalecimento da confiança, o trabalho em equipe e o enfrentamento de medos e inseguranças.

Desenvolvimento

Este foi um projeto realizado com um grupo de crianças do G3, a turma é constituída por 19 crianças sendo nove meninos e dez meninas, com idade de 3 anos. As aulas foram ministradas pelas professoras de Educação Física e pela professora polivalente.

A sequência de 15 aulas foi planejada e realizada de forma gradual, com o aumento da complexidade e dos desafios conforme as crianças se familiarizassem com os movimentos e conceitos propostos. A cada aula, foram trabalhados diferentes aspectos das práticas corporais de aventura, como: equilíbrio, confiança, movimento livre, cooperação, superação de obstáculos e exploração do corpo.

Antes de iniciarmos o projeto, realizamos uma reunião com os responsáveis para explicar que iríamos realizar o projeto com as crianças e para que eles assinassem o termo de consentimento. Após esta reunião demos início às atividades com as crianças.

As aulas de modo geral seguiam a seguinte dinâmica: primeiro era realizada uma roda de conversa a fim de contextualizar as práticas corporais de aventura que seriam vivenciadas naquele dia. Em seguida, eram propostas atividades com o intuito de proporcionar às crianças a vivência das práticas de aventura que seriam tematizadas nas aulas. Ao final de cada aula realizamos uma roda de conversa com as crianças, com o intuito de avaliar. Elas foram convidadas a expressarem suas opiniões sobre o que ocorreu nas aulas. Após a roda de conversa final realizamos os registros para cada aula e pensamos em uma forma diferente de registro.

Iniciamos pensando num contexto lúdico condizente com a faixa etária de três, definimos as PCA que foram utilizadas sendo elas:

Conclusões

A colaboração entre as professoras mostrou-se significativa para a aprendizagem das crianças, mostrando que quando os profissionais estão abertos a diálogos todos têm a ganhar.

Ao longo das 15 aulas, foi possível perceber o desenvolvimento progressivo das crianças, tanto no aspecto motor quanto emocional. Inicialmente, algumas crianças mostraram receio ou insegurança diante dos desafios, mas com o tempo, observou-se um aumento na confiança, no equilíbrio e na capacidade de lidar com situações desafiadoras.

A interação social também evoluiu, com as crianças colaborando mais entre si, compartilhando ideias e ajudando umas às outras.

A vivência das práticas corporais de aventura proporcionou um espaço para as crianças se expressarem livremente, o que contribuiu para a melhoria da autoestima e do bem-estar. Muitas superaram medos pessoais, como o medo de altura ou de falhar diante dos outros, e isso teve um impacto positivo na autoestima de todos.

As crianças aprenderam a lidar com frustrações, a respeitar o tempo de cada um e a perceber que os desafios podem ser superados de forma conjunta.

A intervenção foi extremamente enriquecedora, tanto para as crianças quanto para os educadores, sendo uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento motor, emocional e social.

O sucesso da intervenção foi evidenciado pelo entusiasmo das crianças e pelos avanços que foram sendo percebidos ao longo das aulas.

Referência

MASULLO, V. F.; COELHO, I. da S. As dificuldades dos professores da educação infantil: questões estruturais e pedagógicas. UNISANTA Humanitas, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 72-97, 2015.

Apresentação em PDF

Visualize abaixo os slides utilizados pelas autoras durante o simpósio:

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